VI Seminário Discente da Pós-Graduação em Ciência Política da USP (DCP/USP). Mesa: Economia política dos capitais do urbano e políticas públicas

Esta mesa propõe um conjunto de análises para refletir sobre a política do urbano, com ênfase no estudo da economia política particular a cada um dos capitais do urbano. Estes são aqueles capitais que tem na produção da cidade o objeto de seus processos de valorização. Neste sentido, estamos interessados em entender como estes agem e interagem com o espaço urbano, com o Estado e com as políticas públicas. Os casos selecionados para a discussão envolvem os capitais envolvidos com a construção de grandes projetos urbanos, com o exemplo do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro e os capitais envolvidos com a entrega de serviços urbanos, com os exemplos da limpeza urbana e transporte coletivo por ônibus em São Paulo. Deste modo, esta mesa pretende apresentar subsídios que contribuam para a agenda de pesquisa em torno do estudo dos capitais do urbano, valorizando a cidade como objeto de estudos da ciência política e a política como um aspecto importante dos estudos urbanos.

Trabalhos

A economia política da limpeza urbana em São Paulo – Samuel Ralize de Godoy

O artigo examina a construção do mercado de limpeza urbana em São Paulo. Observam-se características societárias das empresas que operam os nichos público e privado dos serviços de coleta e destinação de resíduos, bem como a organização de entidades associativas e as redes de propriedade dessas empresas. Relaciona-se o processo de consolidação do mercado ao contexto regulatório mais amplo sobre a política pública.

Os capitais urbanos do Porto Maravilha – Betina Saruê

O artigo explora a economia política do megaprojeto do Porto Maravilha no Rio de Janeiro e sua relação com a construção do território urbano. Aborda a relação entre atores privados e públicos, arranjos institucionais, condições de investimento e compartilhamento de riscos. O Porto Maravilha concentra diversos tipos de capitais distintos em um mesmo território sob condições políticas e institucionais particulares.

Instrumentos de políticas públicas e estratégias ilegais na economia política dos capitais dos transportes por ônibus em São Paulo – Marcos Lopes Campos

A entrega dos serviços de ônibus nas cidades envolve a produção de três tipos de circuitos amplamente interdependentes: veículos, informação e valor econômico. Estes envolvem diferentes configurações de atores, procedimentos, instrumentos e práticas informais e ilegais para a produção dos serviços. De forma resumida, o primeiro é o que chamamos de rede de linhas de ônibus, envolvendo a produção de viagens programadas para o embarque e desembarque de passageiros. O circuito de informações diz respeito aos processos de quantificação dos serviços, com o intuito de apoiar as atividades de fiscalização, planejamento e remuneração das organizações contratadas. Finalmente, o circuito de valor econômico estrutura por quem e como a receita tarifaria é produzida e manipulada na rede de ônibus, Nesta chave, este artigo apresenta resultados de um estudo de caso da entrega dos serviços de ônibus em São Paulo entre os anos 1977-86 com o objetivo de responder a duas questões. Quem governa o que e como nos circuitos de informação e valor econômico nos serviços de ônibus? Em segundo lugar, qual o lugar dos instrumentos de políticas públicas e seus usos por meio de práticas informais e ilegais na estruturação de relações de poder e estratégias privadas de produção do lucro? Com estas questões busco apontar a centralidade política dos processos de quantificação na economia política dos capitais dos transportes e na governança urbana.

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