Transformações Socioeconômicas

No Capítulo 1 são discutidas as dinâmicas socioeconômicas mais relevantes que emolduram as transformações analisadas no restante do livro. Eduardo Marques, Rogério Barbosa e Ian Prates apresentam as intensas mudanças produtivas e econômicas vividas pela metrópole paulistana nas duas últimas décadas. Em geral, ocorreu um significativo crescimento econômico relativo no setor serviços, em especial nos serviços produtivos e no comércio. Contrariamente ao sugerido por certas análises dos anos 1990, entretanto, isso não representou um esvaziamento da indústria. A metrópole paulistana aparentemente experimentou uma superposição de funções econômicas, concentrando capacidades de comando sem perder completamente a produção industrial. As décadas de 1990 e 2000 apresentaram sinais trocados em termos de emprego e pobreza. Nos anos 1990, após um momento concentrado de melhora em 1994 com a estabilização econômica, o desemprego, a informalidade e a pobreza voltaram a crescer. Nos anos 2000 esses vetores se inverteram, com redução do desemprego e da pobreza e o aumento da formalização dos postos de trabalho. O balanço geral das duas décadas indica um saldo de redução da pobreza e das desigualdades medidas pela renda, assim como de diminuição do desemprego e de crescimento dos postos formais de trabalho.  As informações relativas a São Paulo nas últimas décadas sugerem um lento, mas consistente padrão de transformações na estrutura social. Não houve sinais de polarização, pois embora as categorias superiores ligadas a atividades profissionais tenham crescido e as classes de trabalho manual tenham decrescido, as classes intermediárias também aumentaram a sua presença relativa. Por outro lado, as classes manuais, qualificadas e não qualificadas, continuaram sendo predominantes, o que confirma a hipótese anterior de superposição de funções econômicas na metrópole – com o crescimento de atividades de comando, mas a manutenção de substanciais atividades industriais de caráter fordista. Vale acrescentar que a escolaridade média cresceu em todas as classes, como resultado do maior acesso às políticas educacionais, especialmente para os extratos mais jovens. Em resumo, não é possível afirmar que a estrutura social em São Paulo tenha sofrido polarização social ao longo dos últimos 20 anos. Entretanto, embora as classes profissionais tenham crescido substancialmente no mesmo período, tampouco se verificou profissionalização, a exemplo de algumas grandes metrópoles europeias, pois manteve-se uma parcela substancial da estrutura social ligada ao trabalho fabril e manual.

Autores: Eduardo Marques, Rogério Barbosa, Ian Prates

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