Por que lixo também é política?

A limpeza urbana envolve conflitos, disputas e interesses ferrenhos: quando a municipalidade não dispõe de áreas para a construção de aterros, contratam-se aterros privados; a administração de aterros e estações de transbordo fica a cargo de empresas privadas; os serviços de varrição e coleta tornam-se concessões e passam a ser administrados por consórcios de grande porte; e todo o setor de limpeza urbana se transforma num nicho comercial que movimenta milhões – ou, no caso de São Paulo, bilhões de reais. Por tudo isso, desde a geração do resíduo, passando por seu descarte, sua destinação e até a sua disposição final, e ainda que se envolvam questões ambientais ou econômicas, a questão dos resíduos sólidos é eminentemente política. Por quê? Pois múltiplos atores e interesses estão envolvidos e em disputa: o cidadão quer um ambiente urbano limpo e conservado; o Poder Público busca promover um gerenciamento economicamente eficiente; os trabalhadores envolvidos na coleta de recicláveis lutam diariamente por uma renda e condições de trabalho adequadas; as indústrias e as empresas envolvidas na gestão dos resíduos trabalham em troca de uma fonte de lucro. Um arranjo que dê conta de tantos interesses necessariamente passa por negociações e concessões de todas as partes – cabe, então, apropriar-se também dessa agenda e fazer valer os nossos objetivos.

Artigo completo em: http://ogusmao.com/2014/10/29/por-que-lixo-tambem-e-politica/

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