Mudanças nas desigualdades e segregação por raça e classe na RMSP (2000-2010)

Em pesquisa anterior, baseada nos dados do Censo de 2000, constatamos níveis moderados de segregação entre negros e brancos, que tornam-se mais agudos nas classes médias e altas, de modo que os negros destas camadas tendiam a concentrar-se mais em áreas periféricas de São Paulo.

Contudo, de 2000 até hoje, o Brasil tem passado por importantes transformações socioeconômicas como a diminuição da desigualdade e aumento da mobilidade social, com o crescimento da “classe média”. No âmbito das cidades, constatou-se também forte aquecimento do mercado imobiliário e do setor da construção.

Os ciclos econômicos geram diferentes impactos sobre as classes e os grupos raciais, assim como sobre negros com distintas posições de classe, podendo alterar tanto as desigualdades entre negros e brancos como as desigualdades intra-raciais. Tais alterações guardam relações com os padrões de segregação residencial dos grupos de raça e classe (Ver, por exemplo, os textos de William Julius Wilson).

Assim, no capítulo proposto seremos guiados pelas seguintes questões: De que modo as transformações sociais pelas quais passou o país na última década impactaram nas desigualdades entre negros e brancos e nas desigualdades intra-raciais na Regiões Metropolitana de São Paulo? Em que medida tais mudanças nas desigualdades geraram novos padrões de segregação residencial por raça e classe? Haveriam alterações nas características de determinados bairros e de seus moradores, bem como importantes deslocamentos dos grupos sociais no espaço da RMSP?

Tendo em vista as questões colocadas, pretendemos, primeiramente, caracterizar as transformações nas desigualdades de renda a partir de dados dos Censos de 2000 e de 2010. Mensuraremos a segregação entre negros e brancos estratificados em faixas de renda domiciliar (ou alguma classificação sócio-ocupacional) através de um indicador de auto-correlação espacial, o índice de Moran, e de modelos de realização locacional [locational-attainment models]. Como unidade espacial adotaremos as áreas de ponderação, para permitir a comparação entre 2000 e 2010. Para o ano de 2010 repetiremos o exercício para o nível do setor censitário, visando revelar especificidades da micro-segregação.

Autor: Danilo França