Mercado de trabalho e desigualdades

Como seria de se esperar, todas essas mudanças impactaram as desigualdades de rendimento no mercado de trabalho. Essas são analisadas por Rogério Barbosa e Ian Prates no Capítulo 2. A análise indicou sinais de polarização social entre ocupações nos anos 1990, momento onde se fez presente a restruturação produtiva, mas que foi revertida na década seguinte quando a economia brasileira voltou a crescer em um ambiente de maior abertura comercial. O saldo geral das duas últimas décadas foi de redução das desigualdades provocada por vários processos com sinais nem sempre congruentes. A decomposição da desigualdade por estas dimensões sociais indicou as causas ou correlatos do processo de declínio verificado. O exercício realizado por Barbosa e Prates mostrou que a desigualdade se reduziu tanto entre classes quanto dentro das classes como efeito da formalização do emprego e de gênero. Por outro lado, as desigualdades tenderam a aumentar no que diz respeito às gerações de trabalhadores (idade) e aos níveis educacionais, embora esses efeitos tenham sido menores que os verificados entre classes. Vale destacar ainda que o efeito dos níveis educacionais é especialmente interessante, pois embora a elevação dos níveis médios de escolaridade tenha contribuído para reduzir as desigualdades em nível nacional, teve efeito contrário em nível local em São Paulo, possivelmente pela elevação dos requisitos mínimos dos novos empregos mais qualificados, dados os traços de profissionalização já indicados. O saldo geral das duas décadas, entretanto, foi de redução das desigualdades.

Autores: Rogério Barbosa e Ian Prates